Rodrigo Bocardi afirmou que a decisão de deixar o SBT passou, segundo ele, por uma espécie de “pressão política”. Em participação no programa “Melhor da Band”, com Leo Dias, nesta sexta-feira (11), o jornalista voltou a negar a acusação de que teria cobrado dinheiro de prefeituras em troca de cobertura positiva e criticou a forma como a emissora conduziu o caso.
“Como é que eu posso sofrer uma acusação desse sentido sem nenhuma prova? É uma destruição de reputação”, afirmou Bocardi. O apresentador também questionou a existência de um áudio apontado como parte da denúncia. “Cadê esse áudio que diz que eu tô extorquindo as pessoas? Cadê esse áudio? Eu tenho esse áudio, eu tenho esse áudio. Eu não divulgo porque é um áudio editado, mentiroso”, declarou.
A fala aconteceu um dia depois de Bocardi ter sido afastado do “SBT Cidades”, em meio à repercussão de uma denúncia atribuída a Jones Donizette, ex-secretário de Tecnologia e Comunicação de Embu das Artes, em São Paulo. Segundo a acusação, o jornalista teria cobrado valores de gestores municipais para divulgar ações de prefeituras de maneira favorável e ameaçado dar espaço a problemas das cidades caso os acordos não fossem fechados.
Bocardi nega que tenha praticado extorsão e sustenta que as conversas envolvendo prefeituras tratavam de contratos comerciais de publicidade da BocaTV. Segundo ele, esse modelo de negócio era conhecido pelo SBT desde o início da negociação para a parceria entre as empresas.
Na entrevista a Leo Dias, o jornalista também criticou diretamente a decisão do SBT de retirá-lo do ar enquanto o caso era analisado. Para Bocardi, a emissora teria agido com base em informações que circulavam nas redes sociais, antes de apresentar qualquer comprovação.
“Como o SBT me tira do ar, o SBT me tira do ar de um programa sem ter nenhuma prova, sem ter nada? Veja a gravidade disso, Leo. O SBT se baseou em fatos de redes sociais. Ele se baseou em fofoca!”, afirmou.
O jornalista questionou ainda como poderia continuar trabalhando em uma empresa que, na visão dele, não teria respeitado os termos da parceria. Bocardi fez questão de reforçar que sua relação com o SBT não era a de um funcionário convencional, mas de uma parceria envolvendo a BocaTV.
“Como é que eu vou continuar trabalhando num lugar desse ou com uma parceria? Não é parceria, não sou funcionário de ninguém. Eu sou funcionário meu de TV. Eu tinha uma parceria ali”, disse.
Em 8 de setembro, SBT e BocaTV encerraram a parceria comercial que havia sido estabelecida para o projeto de Bocardi na emissora. Naquele momento, porém, a informação era de que o jornalista continuaria no comando do “SBT Cidades”. Dois dias depois, Bocardi foi afastado da atração enquanto a emissora analisava a denúncia. Já nesta sexta-feira (11), o vínculo com o SBT foi encerrado de forma definitiva.
Foi ao explicar por que não pretendia continuar na emissora que Bocardi introduziu outro elemento para lá de polêmico na história. Durante a entrevista, ele afirmou que estaria sendo usado para desviar o foco de questões que, segundo ele, envolvem o SBT e o escândalo relacionado ao Banco Master.
“Hoje, no calor dos acontecimentos, me usa! Me usa como um pano de fundo para esconder a gravidade que tem hoje dentro do SBT com esse assunto de Master, esse assunto de Fábio Faria”, disparou. O jornalista afirmou que Faria teria envolvimento com o dinheiro do Banco Master e questionou a posição da emissora diante do caso.
A fala, no entanto, foi interrompida pelo intervalo comercial. "A gente precisa interromper pra ir pro comercial. Eu peço desculpas ao telespectador, Eu peço desculpas ao Bocardi. A gente volta já já com informações sobre o trisal e vamos deixar o programa mais leve pra gente investir", retrucou o jornalista, aparentemente constrangido. Eita!
Na volta do programa, Leo explicou que o assunto seria tratado de forma separada, citando inclusive o período eleitoral e a necessidade de respeitar as regras do Tribunal Superior Eleitoral.
Apesar das declarações do jornalista, a versão oficial do SBT é diferente da narrativa de que a denúncia teria provocado o rompimento do contrato. Em nota, a emissora afirmou que tomou conhecimento, pelas redes sociais, de uma denúncia relacionada a Bocardi, mas que a apuração não encontrou fatos ou provas que comprometessem “o comportamento e a idoneidade do profissional”.
O SBT também declarou que a parceria com a BocaTV já havia sido desfeita e que, diante disso, o próprio Rodrigo Bocardi decidiu encerrar por completo seu contrato com a emissora para se dedicar integralmente às próprias empresas. Ou seja, de acordo com a emissora, a denúncia não foi apontada como causa para o fim definitivo do vínculo.
Desde que a denúncia veio a público, Bocardi tem sustentado que não houve cobrança para favorecer administrações municipais em reportagens. Em uma transmissão anterior, o jornalista afirmou que o áudio atribuído a Jones Donizette teria sido gravado ilegalmente, editado e distorcido. Segundo Bocardi, as conversas diziam respeito a propostas de publicidade e a acordos comerciais da BocaTV - e não à venda de conteúdo jornalístico.
“O assunto de prefeitura e publicidade na BocaTV é conhecido por todos do SBT desde o primeiro dia da conversa com todos os diretores”, afirmou em live no Instagram. Ele também argumentou que a existência de publicidade em empresas de comunicação não significaria interferência editorial e que os conteúdos jornalísticos produzidos pela BocaTV não seriam condicionados à contratação de anúncios.
O novo episódio ocorre pouco mais de um ano depois da saída de Bocardi da Globo, onde trabalhou por cerca de 25 anos e comandou o “Bom Dia São Paulo” durante aproximadamente 12 anos.
Na ocasião, a Globo informou que o desligamento ocorreu por descumprimento de normas éticas do jornalismo da emissora, sem detalhar publicamente qual teria sido a conduta considerada irregular. Bocardi negou irregularidades e, desde então, passou a dizer que se sentia injustiçado e questionar onde estariam as provas contra ele.